Cuidados de tutores e de veterinários são essenciais na castração
Blogs e Colunas | Coluna de Estimação 15/02/2020 07h59 - Atualizado em 15/02/2020 19h20

O propósito da castração não é somente de impedir a procriação de pets, evitando o aparecimento de ninhadas sem aviso e diminuição do número de abandonados nas ruas, mas também trazer benefícios para a vida deles, aumentando sua expectativa de longevidade. Nos felinos, principalmente, evita os miados constantes e comportamentos bagunceiros no período fértil.

A esterilização consiste, basicamente, na retirada dos ovários e do útero do animal e o procedimento é delicado, o que exige certos cuidados tanto por tutores, quanto médicos veterinários. Não foi o que teria ocorrido em 2013 com a Chiva, a gatinha da mãe da jornalista Janaína Rezende. A pet passou pelo procedimento há sete anos em Aracaju mas ela passou por momentos difíceis nos últimos dias.

Janaína Rezende conta que na cirurgia da castração, o veterinário deixou um ovário que estava irregular e com suspeita de um tumor, além de ter deixado o coto uterino, confirmado após exames. A suspeita da família começou quando a gata voltou a ter sintomas de cio. "Ela ficou miando, se arrastando no chão, passou mais ou menos um mês assim", relata. 

Uma biópsia constatou câncer no ovário. O coto uterino também apresentou um líquido em que não saiu o diagnóstico no resultado do procedimento. Quatro dias depois de descoberto, no fim do mês passado, a gata passou por nova cirurgia para a retirada do ovário e do resto do útero. "Ela estava muito agoniada, sofrendo bastante. Ela também fez um exame para saber se tem metástase e não tem graças a Deus. Agora vai para o oncologista e não sei se vai precisar de quimioterapia ainda", contou ela, revoltada com a situação. 

Segundo a médica veterinária, cirurgiã e especialista em oftalmologia e medicina felina, Mary Anne, diferentemente da medicina humana, não é recomendável que se deixe os ovários, pois as fêmeas podem continuar entrando no cio. “Alguns médicos veterinários cirurgiões podem sentir um pouco mais de dificuldade em acessar o ovário direito por conta da posição anatômica, e por conta disso, algum resquício de tecido ovariano pode permanecer levando a paciente a ter a Síndrome do Ovário Remanescente (SOR). Caso isso aconteça o tutor deve ser avisado e um novo procedimento marcado, pois a paciente irá apresentar comportamento de cio e algumas vezes pode também ter piometra de coto tempos depois da cirurgia de castração, que é a infecção do resquício de útero que sobra após a cirurgia,”, explica.

A veterinária também explica que no procedimento é possível que se deixe o coto uterino, no entanto, a recomendação é que seja o mínimo possível, ao contrário dos ovários, que devem ser removidos em sua totalidade. 

Quando um cachorro ou gato tem um testículo que não está no saco escrotal também tem que ser operado, acrescenta a veterinária, pois o testículo pode assumir uma condição cancerosa ou mesmo sofrer uma torção levando o paciente a uma crise de abdômen agudo que pode culminar em óbito.

Importância e cuidados na castração 

A castração também é considerada por alguns veterinários a melhor maneira para se evitar câncer de mama e de próstata. Mary Anne ressalta que este procedimento é muito benéfico biologicamente falando tanto para machos como para fêmeas, no sentido de que reduz a possibilidade de haver desenvolvimento de tumores vinculados ao trato reprodutivo.

No quesito comportamento, a castração pode influenciar mais no comportamento dos felinos, de um modo geral porque eles tendem a dar passeios em busca de acasalamento. “Fazendo a castração isso pode reduzir na maioria das situações, todavia, alguns animais podem permanecer dando voltinhas, independente do sexo, pois na rua existem outros atrativos, como por exemplo caçar, que é uma atividade inerente de gatos”, reitera.

Em qualquer procedimento cirúrgico são indispensáveis certos cuidados, tanto pelo médico quanto pelo tutor, e na castração não é diferente. A cirurgia, tecnicamente falando, conforme aponta Mary Anne, tem três momentos, o pré, o trans e o pós cirúrgico e em cada um existem preocupações específicas. Enquanto o tutor deve seguir as orientações do veterinário, fornecer as medicações, fazer os curativos, oferecer alimentação de boa qualidade, manter o uso da roupa cirúrgica e/ou colar.

“No pré: a atenção está voltada para o estado geral e como estão os exames do paciente, já há uma movimentação no sentido de seleção e preparo do material que será utilizado na cirurgia, por exemplo esterilização, quantidade de fios. Nesse momento a gente também pensa no pós, ou seja, quem vai cuidar e quais são os medicamentos que serão administrados. No trans:  O médico veterinário anestesista irá cuidar dos parâmetros vitais a manutenção do plano anestésico para que o paciente passe pela cirurgia com o menor trauma possível e tenha um bom retorno anestésico ao acordar. Enquanto que o cirurgião fará a identificação e individualização do órgão, no caso das fêmeas, com muita atenção para não atingir as vísceras adjacentes", explica. 

Já o pós-cirúrgico "tende a ser o momento de maior tranquilidade, desde que o pré tenha sido bem executado e que no trans não tenham havido intercorrências. Esse é o momento que vai requerer muita dedicação do tutor para execução dos curativos e medicamentos, além do cumprimento de todas as orientações fornecidas pelo médico veterinário”, continua a veterinária. 

Procurar um médico veterinário de confiança, ter certeza de que é um profissional e não um charlatão,  e conhecer o ambiente onde será feito o procedimento, estar atento às mudanças do seu pet é importante para manter o bem estar do seu animalzinho de estimação.
 

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Fernanda Araújo é formada em Comunicação Social – Jornalismo pela UNIT, pós-graduada em MBA Marketing, Assessoria e Comunicação Integrada pela FANESE. Já trabalhou como assessora de comunicação em sindicato de classe, e atualmente, é repórter no Portal F5 News. Premiada em primeiro lugar no Prêmio João Ribeiro de Divulgação Científica da Fapitec, na categoria web jornalismo, em 2018.

E-mail: fernandaaraujo.jornalismo@gmail.com

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