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Saúde
Sergipe realiza transplante de rim com doador falecido
FBHC terá mais de R$ 241 milhões para a realização de transplantes de rim e fígado
Cotidiano | Por Agência Sergipe 07/01/2026 13h59 - Atualizado em 07/01/2026 14h04 |


Sergipe realizou um transplante de rim com doador falecido, marcando mais um avanço importante para a saúde pública estadual. O procedimento ocorreu na noite desta terça-feira, 6, na Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia (FBHC), unidade contratualizada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que recebe investimento anual superior a R$ 241 milhões para a realização de procedimentos de alta complexidade.

O paciente transplantado, Josenaldo Oliveira, é um jovem de 25 anos, do município de Nossa Senhora da Glória, que convive com a doença renal crônica há cerca de dez meses, após a constatação de alterações renais, diagnóstico esse que o deixou assustado. “Após descobrir a doença, fui encaminhado para o Huse, onde precisei realizar cateterismo e iniciar as sessões de hemodiálise. Lá, recebi a notícia de que meu quadro era crônico e que seria necessário um transplante, o que foi um grande choque, principalmente por não haver histórico da doença na minha família. Poucos meses após o diagnóstico, tive convulsões e cheguei a entrar em coma. Saber que essa espera chegou ao fim e que poderei retomar minha qualidade de vida realizando o transplante no meu próprio estado é um alívio enorme”, contou o paciente emocionado.

A retomada do transplante renal com doador falecido simboliza a ampliação do acesso a tratamentos especializados, o que reduz a necessidade de deslocamento de pacientes para outros estados. Além disso, o procedimento representa uma renovação de esperança e a possibilidade de melhoria da qualidade de vida para pessoas que aguardam na fila por um transplante.

O secretário de Estado da Saúde, Jardel Mitermayer, destacou que a retomada dos transplantes renais em Sergipe é mais um avanço para a população sergipana. “A retomada do transplante de rim é resultado da idealização do governador Fábio Mitidieri e do fortalecimento da política pública na época pela gestão de Cláudio Mitidieri, em parceria com o hospital responsável. Hoje, o estado colhe os frutos dessa iniciativa conjunta. Manifesto a gratidão aos familiares do doador que, com generosidade e solidariedade, disseram “sim” à doação de órgãos, transformando vidas e renovando a esperança. Que esse gesto fortaleça a conscientização e incentive a doação de órgãos, salvando vidas”, ressaltou.

O diretor técnico do Hospital de Cirurgia, Rilton Morais, explicou que a realização do transplante renal envolve um processo altamente complexo que passa por uma análise rigorosa de compatibilidade entre doador e receptor e pela coincidência de diversos fatores clínicos. “O Hospital de Cirurgia iniciou o projeto em 2022, com o credenciamento e a adequação da infraestrutura. No ano seguinte, o serviço foi implementado com a seleção e avaliação dos pacientes aptos, possibilitando a formação da lista de receptores. Quando ocorre uma doação, os dados do doador, como tipo sanguíneo e critérios clínicos, são cruzados para identificar o receptor compatível. Esse processo resultou na realização do primeiro transplante, considerado bem-sucedido”, frisou.

Doação que salva vidas

O transplante só foi possível graças à autorização familiar de um paciente internado no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), vítima de acidente motociclístico. Após quase dez dias de internação, foi confirmada a morte encefálica e iniciado o protocolo de doação.

Além do rim transplantado em Sergipe, também foram captados o coração, a primeira captação de 2026, o fígado e as córneas, beneficiando pacientes de Sergipe, Pernambuco e Espírito Santo . Somente nos primeiros dias do ano, já foram realizadas quatro captações de múltiplos órgãos e tecidos.“A atuação da equipe da OPO fortaleceu a resolutividade do processo. Estamos conseguindo fechar protocolos em até 24 horas, essencial para salvar mais vidas, seja por meio da doação ou da liberação de vagas em setores críticos”, explicou a coordenadora da Organização de Procura de Órgãos de Sergipe (OPO/SE), Darcyana Costa.

O coordenador da Central de Transplantes, Benito Fernandez, contou que o momento é extremamente significativo por marcar a retomada do transplante renal com doador falecido. “A iniciativa fortalece a assistência aos pacientes, que agora podem realizar o procedimento próximo de seus familiares com acompanhamento adequado em caso de intercorrências. O sucesso do transplante dependeu de uma rigorosa avaliação de compatibilidade, incluindo critérios como ABO, HLA e cross-match negativo, garantindo a segurança do procedimento. Para a Central Estadual de Transplantes, esse momento representa a retomada de Sergipe na rota nacional dos transplantes renais, reafirmando a capacidade do estado de oferecer esse serviço de alta complexidade e dar continuidade à sua história na área dos transplantes”, afirmou.

Contrato estratégico

O contrato com a FBHC, com investimento anual superior a R$ 241 milhões, garante não apenas a realização de transplantes de rim e fígado, mas, também, cerca de 700 procedimentos cirúrgicos de média e alta complexidade por mês, totalizando aproximadamente 8.300 por ano, em especialidades como cirurgias cardíacas, neurológicas, vasculares, ortopédicas e oncológicas.

Além disso, a unidade realiza 14.500 atendimentos ambulatoriais por mês, chegando a mais de 174 mil ao ano, incluindo consultas, exames e procedimentos, permitindo que serviços estratégicos, como transplantes, sejam realizados dentro do próprio estado, sem a necessidade de deslocamento dos pacientes para outras unidades da federação.

Como ser um doador

A doação de órgãos e tecidos depende da autorização familiar, mesmo que o desejo de ser doador tenha sido manifestado em vida. O protocolo é iniciado com a identificação de pacientes em estado neurocrítico, acompanhados pela OPO, e, após confirmação da morte encefálica, os órgãos são disponibilizados aos pacientes compatíveis pela Central Estadual de Transplantes, seguindo normas do Sistema Nacional de Transplantes e supervisão do Ministério Público.

A chefe do serviço de transplante renal do Hospital de Cirurgia, Simone Oliveira, reforçou que a doação de órgãos, tema central das campanhas de Setembro Verde, é fundamental para a realização de transplantes, que depende da autorização familiar em casos de morte encefálica. “No caso do transplante renal, o procedimento é indicado para pacientes com insuficiência renal que necessitam de diálise. O Hospital de Cirurgia iniciou o ambulatório no início de outubro e, em apenas dois meses, realizou o primeiro transplante renal, em 6 de janeiro. O sucesso do procedimento reflete a união entre ações de conscientização sobre a doação de órgãos, uma equipe médica qualificada e uma estrutura hospitalar adequada”, destacou.

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