Grávida morre durante parto em Aracaju e família acusa hospital de negligência | F5 News - Sergipe Atualizado

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Grávida morre durante parto em Aracaju e família acusa hospital de negligência
Maria Beliene, de 32 anos, morreu após complicações no Hospital Santa Isabel; família aponta falhas no atendimento
Cotidiano | Por Gabriel Ribeiro 29/08/2025 15h51 - Atualizado em 29/08/2025 15h52 |


A família de Maria Beliene dos Santos, de 32 anos, acusa a Maternidade do Hospital Santa Isabel, em Aracaju, de negligência após a morte da jovem durante o parto de sua segunda filha. Ela deu entrada na unidade no dia 22 de agosto, com 40 semanas de gestação, mas não resistiu após complicações durante o procedimento. O bebê sobreviveu e passa bem.

Em entrevista ao F5 News, o viúvo da vítima, Adson William da Ressureição Santos, relatou que Maria Beliene chegou ao hospital em boas condições de saúde, depois de uma gravidez considerada normal. Segundo ele, a esposa foi internada após apresentar dilatação e, horas depois, começou a passar mal após a aplicação de uma medicação.

“Ela falou para a mãe que estava se sentindo tonta. Em seguida, começou a se tremer, espumar pela boca e ficou roxa. Foi levada às pressas para o centro cirúrgico e depois me disseram que precisaram realizar uma cesariana de emergência. O bebê nasceu, mas minha esposa não resistiu, mesmo após uma hora de tentativas de reanimação”, contou Adson, emocionado.

Ainda segundo o viúvo, ao reconhecer o corpo da esposa, percebeu que ela apresentava ferimentos no nariz e na boca. Na certidão de óbito, a causa da morte consta como “indeterminada”, o que aumentou as desconfianças da família.

Questionamentos sobre a conduta do hospital

A advogada da família afirma que houve falhas no protocolo após o óbito. “Quando uma pessoa morre dentro de um hospital e não se sabe a causa, o corpo deve ser encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) e a autoridade policial precisa ser comunicada. Isso não foi feito. A família recebeu apenas uma declaração de óbito com causa indeterminada e o corpo foi liberado diretamente para o velório”, explicou a advogada Bárbara Lima.

Ela destacou ainda que, inicialmente, o hospital teria informado que só entregaria o prontuário médico após 30 a 40 dias. O documento, entretanto, foi liberado recentemente e será anexado às investigações.

Busca por justiça

Emocionado, Adson disse que agora luta para entender o que aconteceu e garantir respostas às filhas. “Eu perdi minha companheira, minha guerreira, e fiquei sozinho com três filhas para criar. Quero justiça. O que aconteceu não pode ficar sem explicação”, declarou.

A família acompanha a investigação policial instaurada para apurar o caso e estuda medidas judiciais nas áreas cível e criminal. Também não está descartada a possibilidade de solicitar a exumação do corpo para aprofundar a apuração das causas da morte.

O que diz o hospital

O Hospital Santa Isabel já havia se manifestado anteriormente em coletiva de imprensa, classificando o caso como “raro” e uma “fatalidade inevitável”, afirmando que todos os protocolos foram seguidos. O prontuário do atendimento será analisado pelos comitês municipal e estadual de mortalidade materna.
Em nota divulgada nesta última quinta-feira (28), o Hospital Santa Isabel confirmou o óbito e lamentou a morte da paciente, mas negou que houve falhas. Segundo a unidade hospitalar, “toda a assistência à parturiente foi realizada dentro dos protocolos obstétricos preconizados” e a equipe médica conseguiu salvar o bebê, que nasceu sem sequelas após um parto cesáreo de emergência realizado enquanto a mãe já estava em parada cardiorrespiratória.

“A equipe, altamente qualificada, conseguiu impedir o óbito do feto, agindo de forma rápida na garantia de sua vitalidade”, diz um trecho da nota. O hospital afirma que o caso será avaliado pelo Comitê Municipal e Estadual de Mortalidade Materno-Infantil, como previsto para eventos graves do tipo, considerados “raros e imprevisíveis”.

Ainda de acordo com o hospital, a família foi informada sobre as causas do óbito no dia do ocorrido, e uma nova tentativa de diálogo ocorreu em 26 de agosto, quando o companheiro da vítima esteve na unidade, mas preferiu não receber mais esclarecimentos naquele momento.

A nota também informa que, por questões de sigilo profissional, detalhes do prontuário médico não podem ser divulgados publicamente, sendo acessíveis apenas a familiares ou mediante ordem judicial.

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