Natação e cloro: pneumologista alerta para os riscos respiratórios
Especialista explica quem é mais vulnerável ao cloro e como praticar natação com segurança Blogs e Colunas | Saúde em Dia 13/01/2026 10h47 - Atualizado em 13/01/2026 11h03Presente em praticamente todas as piscinas, o cloro é fundamental para a desinfecção da água, mas também pode representar riscos à saúde respiratória quando inalado em excesso. O médico pneumologista Dr George Amado explica que quem tem asma, rinite, bronquite ou DPOC, é mais vulnerável ao cloro da piscina, assim como as crianças. Mas, calma! Segundo o especialista, dá para reduzir os efeitos do cloro sem abrir mão da natação. Acompanhe na entrevista.
Saúde em Dia: O cloro das piscinas pode causar ou piorar problemas respiratórios? Como isso acontece?
Dr George Amado: O cloro, por si só, não “cria” asma ou rinite. Mas, dentro da piscina, ele reage com suor, urina e resíduos orgânicos da água e forma gases chamados cloraminas. Essas substâncias irritam o nariz, a garganta e os pulmões. Em pessoas com as vias aéreas já sensíveis — como quem tem asma ou rinite — essa irritação pode desencadear tosse, chiado e falta de ar. Não existe comprovação forte de que o cloro cause asma em quem nunca teria a doença, mas há sim associação clara de piora dos sintomas em pessoas suscetíveis, principalmente em piscinas fechadas e mal ventiladas.
Saúde em Dia: O cheiro forte de cloro pode irritar as vias aéreas mesmo em quem não tem doença respiratória?
Dr George Amado: Pode, sim. Mesmo pessoas sem asma ou rinite podem apresentar:
• ardor no nariz
• tosse seca
• irritação na garganta
Isso acontece porque as cloraminas são irritantes químicos. Na maioria dos indivíduos saudáveis, os sintomas são leves e passageiros. Mas o corpo está avisando que houve agressão às mucosas respiratórias.
Saúde em Dia: Quem tem asma, rinite, bronquite ou DPOC é mais vulnerável ao cloro da piscina?
Dr George Amado: Sim. Essas pessoas já têm vias aéreas inflamadas ou mais reativas. Quando entram em contato com gases irritantes, como as cloraminas, o pulmão responde de forma mais intensa:
• aumento da inflamação
• broncoespasmo
• piora do controle da doença
Por isso, o mesmo ambiente que não causa nada em uma pessoa saudável pode provocar sintomas importantes em quem já tem doença respiratória.
Saúde em Dia: Crianças e idosos correm mais risco?
Dr George Amado: Crianças, sim — principalmente. Elas:
• respiram mais rápido
• ficam mais tempo dentro da água
• têm vias aéreas ainda em desenvolvimento
Isso aumenta a exposição relativa aos irritantes da piscina. Nos idosos, o risco existe sobretudo quando há doenças respiratórias associadas. A evidência científica é mais consistente para crianças.
Saúde em Dia: Bebês e crianças pequenas podem ter prejuízos respiratórios ao frequentar piscinas cloradas?
Dr George Amado: Podem, especialmente quando a exposição é frequente e precoce. Alguns estudos mostram que crianças que passam muitas horas em piscinas cloradas antes dos 2 anos apresentam maior risco de:
• infecções respiratórias
• sintomas alérgicos
Isso não prova causa direta, mas indica que exposição excessiva nessa fase pode não ser inofensiva, principalmente em ambientes fechados.
Saúde em Dia: Quais sintomas respiratórios podem estar relacionados ao cloro da piscina?
Dr George Amado: Os mais comuns são:
• tosse seca após nadar
• nariz entupido ou escorrendo
• ardor nasal ou na garganta
• chiado no peito
• sensação de aperto ou falta de ar
Quando esses sintomas aparecem sempre depois da piscina, o padrão merece atenção.
Saúde em Dia: Tosse persistente depois da natação pode ser sinal de irritação pulmonar?
Dr George Amado: Sim. Se a criança ou adulto tosse sempre após a piscina, principalmente à noite ou no dia seguinte, isso sugere irritação das vias aéreas. Quando é recorrente, não deve ser ignorado nem atribuído apenas ao “cansaço”.
Saúde em Dia: Atletas ou pessoas que nadam com frequência precisam de cuidados especiais?
Dr George Amado: Precisam. Quanto maior o tempo de exposição, maior o contato com cloraminas. Por isso, é importante:
• preferir piscinas bem ventiladas
• evitar piscinas fechadas e aquecidas
• tomar banho antes de entrar na água
• observar sintomas respiratórios após o treino
Saúde em Dia: Existe um tempo máximo seguro de permanência na piscina?
Dr George Amado: Não existe um número exato definido pelas diretrizes. As recomendações são baseadas em sintomas e contexto, não em minutos. Se a pessoa sai bem, sem tosse, chiado ou desconforto, o risco é menor. Se os sintomas aparecem repetidamente, o problema não é o tempo — é a exposição.
Saúde em Dia: Dá para reduzir os efeitos do cloro sem abrir mão da natação?
Dr George Amado: Sim, e isso é muito importante. Algumas medidas ajudam bastante:
• boa ventilação do ambiente
• sistemas alternativos de tratamento da água (ozônio ou salinização)
• controle rigoroso da qualidade da piscina
• banho antes de entrar na água Menos resíduos orgânicos = menos cloraminas no ar.
Saúde em Dia: Tomar banho antes e depois da piscina realmente ajuda?
Dr George Amado: Ajuda, sim. O banho antes remove suor, cosméticos e resíduos da pele que reagiriam com o cloro. O banho depois ajuda a retirar substâncias irritantes da pele e das mucosas. É uma medida simples, mas com impacto real.
Saúde em Dia: A natação ainda é indicada para quem tem asma ou DPOC?
Dr George Amado: Sim — quando a doença está controlada. A natação pode melhorar:
• condicionamento físico
• capacidade pulmonar
• qualidade de vida
O problema não é o esporte, é o ambiente inadequado e a falta de controle da doença.
Saúde em Dia: Que orientações o senhor daria aos pais de crianças asmáticas que fazem natação?
Dr George Amado: Eu costumo orientar:
• manter a asma bem controlada antes de iniciar aulas
• preferir piscinas abertas ou bem ventiladas e optar piscinas com forma de tratamento da agua alternativas ( ozônio ou salinização )
• evitar piscina durante crises ou infecções respiratórias
• observar tosse ou chiado após as aulas
• conversar com o instrutor
• suspender temporariamente se os sintomas persistirem
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André Carvalho é jornalista há mais de 20 anos. Formado pela Universidade Tiradentes (Unit), possui especialização em Marketing pela Faculdade de Negócios de Sergipe (Fanese). Foi apresentador de programa de rádio e televisão, e atuou como assessor de comunicação de vários órgãos públicos e secretarias municipais e estaduais. Atualmente, é editor do Caderno Saúde em Dia.
E-mail: jornalistaandrecarvalho@gmail.com
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