Turismo de experiência ganha sabor sergipano com tradição internacional dos frutos do mar
Inspirada no tradicional seafood boil, muito popular no sul dos Estados Unidos, a proposta vai além da gastronomia convencional. A experiência envolve comer com as mãos, uso de luvas, mesa forrada, compartilhamento dos alimentos e uma forte ativação sensorial. Blogs e Colunas | Passos Pelo Mundo 12/01/2026 21h25 - Atualizado em 12/01/2026 22h02Você sabia que o turismo de experiência é uma tendência crescente no setor mundialmente? Em Aracaju é possível conhecer uma tradição internacional adaptada ao sabor sergipano. Esse é mais do que um prato diferente, o chamado saco de frutos do mar.
Inspirada no tradicional seafood boil, muito popular no sul dos Estados Unidos, a proposta vai além da gastronomia convencional. A experiência envolve comer com as mãos, uso de luvas, mesa forrada, compartilhamento dos alimentos e uma forte ativação sensorial — transformando a refeição em um momento de convivência, descontração e memória afetiva.
A iniciativa foi trazida para Aracaju pela turismóloga Ellen Carvalho, que apostou na adaptação do ritual ao paladar nordestino e aos frutos do mar locais. “O turismo de experiência acontece quando o visitante não apenas consome um produto, mas vive uma história, participa do processo e cria uma memória. Essa proposta une cultura, gastronomia, convivência e identidade local”, explica Ellen, lembrando que achou interessante trazer essa experiência, pois cresceu ouvindo sua mãe dizer que comia com seus pais e irmãos, bolinhos de feijão com farinha feitos na mão e isso reunia a família que observava a matriarca fazer bolinhos para todos, um momento de união e convivência em família. “Hoje em dia nós vemos muito pouco, esses momentos em família ou amigos”, disse.
A experiência tem atraído tanto turistas quanto moradores locais. O empresário Edy Soares e a médica Emmanoela Andrade, que vieram de Petrolina (PE), conheceram a experiência após indicação nas redes sociais. “Nós ficamos sabendo através de uma afiliada nossa, que gosta muito do TikTok, e resolvemos vir”, contou Emmanuela, acrescentando que gostou muito da experiência. “Achei excelente. Vale muito a pena pegar com a mão e comer, eu gostei muito”, afirmou a médica. “É bem descontraído, relaxante, bem diferente e muito gostoso”, completou o empresário Edy Soares.
IDENTIDADE LOCAL E ADAPTAÇÃO CULTURAL
Para a publicitária sergipana Mel Nunes, a experiência dialoga diretamente com a cultura local. “Quebrar frutos do mar é algo que nós, sergipanos, já tiramos de letra. Comemos caranguejo desde sempre. Adaptar isso para uma experiência como essa foi uma delícia”, comentou.
O jornalista Erick Ricarte também aprovou a proposta ao escolher o prato para uma confraternização entre amigos. “A diversidade de produtos dentro do saco surpreende. É uma experiência completa, que une comida boa, conversa e descontração”, destacou.
Além da vivência presencial, o saco de frutos do mar ganhou força no ambiente digital. Conteúdos mostrando o ritual, a forma de servir e a interação entre os participantes viralizaram nas redes sociais. Somente no Instagram do @passospelomundo_, os vídeos sobre a experiência já ultrapassam 110 mil visualizações, enquanto no TikTok somam mais de 65 mil visualizações até o momento da publicação desta matéria — números que reforçam o potencial da experiência como produto turístico e de marketing de destino.
Do sul dos Estados Unidos ao mundo: a origem do “saco de frutos do mar”
O prato conhecido como saco de frutos do mar, inspirado no tradicional seafood boil, tem origem no sul dos Estados Unidos e carrega uma forte herança cultural ligada à convivência comunitária, à partilha e à valorização do alimento como experiência coletiva.
O seafood boil surgiu a partir da mistura de diferentes povos e culturas que se encontraram na região sul dos EUA, especialmente nos estados da Louisiana, Carolina do Sul, Geórgia e Texas.
Entre os principais influenciadores dessa tradição estão:
• Povos indígenas norte-americanos, que já realizavam o cozimento coletivo de mariscos, milho e raízes em grandes panelas, como forma de celebração e partilha;
• Comunidades afro-americanas, especialmente descendentes de africanos escravizados, que incorporaram especiarias, pimentas e métodos de preparo intensos em sabor;
• Imigrantes europeus, sobretudo franceses e espanhóis, que contribuíram com técnicas de cozimento e organização das refeições coletivas.
O resultado foi um prato simples na forma, mas rico em significado: frutos do mar, legumes e temperos cozidos juntos e servidos de maneira informal, sem hierarquias à mesa.
Por que a comida é servida direto na mesa?
Um dos elementos mais marcantes da experiência é o fato de a comida ser despejada diretamente sobre a mesa, geralmente forrada com papel ou plástico, e consumida com as mãos.
Essa prática não é aleatória. Ela representa:
• Quebra de formalidades: todos comem juntos, sem pratos individuais;
• Igualdade entre os participantes: não há porções “melhores” ou “piores”;
• Espírito comunitário: o alimento é compartilhado, incentivando conversa e interação;
• Conexão sensorial: tocar, cheirar e quebrar os frutos do mar faz parte da experiência.
Mais do que comer, trata-se de vivenciar o alimento. Nos Estados Unidos, o seafood boil é extremmente popular e está presente em:
• Festas familiares
• Reuniões de amigos
• Datas comemorativas
• Restaurantes especializados
Para vivenciar a experiência, você pode agendar pelo telefone (79)9997-68673
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Carla Passos é Jornalista, especializada em Turismo e apaixonada por história, flores, textos e coisas inspiradoras. Adora sol, mar, fotografia, doce da padaria, dançar, e sonhar… Na infância, ainda morando em Salvador, meu principal hobbie era ir ao aeroporto ver os aviões partirem. Eu sempre dizia que um dia eu estaria dentro daqueles aviões. Antes de completar 15 anos, eu dizia aos meus pais: não quero festa, quero viajar de avião para o Rio de Janeiro. Foi minha primeira viagem de avião! Trabalhei anos com essa editoria, mas atualmente estou na editoria de política, minha segunda paixão. Assim o turismo virou um hobbie. E de lá pra cá já conheci quase todos os estados do Brasil e 25 países.
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