ORLA SUL II - Nova orla a caminho!
Seremos presenteados com um nova área de convívio e lazer após isolamento social
Blogs e Colunas | Clarisse de Almeida 10/04/2020 12h53 - Atualizado em 10/04/2020 13h05

Como prometido, seguem aqui mais informações sobre a obra de urbanização da Orla Sul, a popular praia da Sarney, que se dará por etapas, com seu Trecho I, iniciado em março, sendo tocado a todo vapor.

Que maravilha sermos presenteados com uma nova área de convívio e lazer exatamente depois desse isolamento social que a maioria vive por conta da malfadada Covid-19. Imagino que nesse momento todos estamos repensando o valor que damos a esses espaços livres e à paisagem que neles podemos desfrutar.

Obras começadas e, como era de se esperar, o time de “ecologistas de plantão” entra em cena questionando as ações de desbaste da vegetação existente na borda, com os velhos argumentos que falam de degradação, extermínio, danos ao meio ambiente. Mas, equivocados, não sabem que exatamente as questões ambientais foram a maior preocupação dos projetistas e o que chamam de vegetação nativa, neste trecho em intervenção, representa apenas parte daquela parede verde que, de acordo com a maioria dos frequentadores do local, incomoda e assusta os passantes.

De acordo com relatos dos trabalhadores da obra, um grande número de pessoas os aborda solicitando que seja totalmente retirado o que chamam de muro verde. Alegam sentirem-se ameaçadas, tendo em vista a facilidade de nele se esconder a marginalidade, surpresas desagradáveis, e até “desovas” de crimes.

Porém, ainda assim, de acordo com os órgãos ambientais, não se permitiu essa supressão. O que se propôs no projeto foi a manutenção das amendoeiras existentes de maior porte, embora sejam espécies exóticas, em função das sombras tão bem-vindas, (nesta nossa árida Aracaju), por elas fornecidas.

Também os arbustos, sobreviventes ao assédio das parasitas abundantes no local, as conhecidas Cuscuta spp. (Fio de ovos), pelos quais hoje se levantam bandeiras, serão preservados e propagados; entre eles Tocoyena sellowiana (Jenipapo-bravo), Chomelia obtusa (Viuvinha); Cynophalla hastata (Feijão bravo - Feijão de boi); Pilosocereus catingicola (Facheiro-da-praia); Ipomoea pes-caprae (Salsa-da-praia); Alternanthera littoralis (Beldroega-da-praia); e outros tantos.

Também por eles, os arbustos e forrações, hoje pisoteados pelas pessoas que se encaminham ao mar, serão implantadas passarelas suspensas, com o mínimo de apoios no solo, preservando o piso natural para que a vegetação possa se espalhar, tendo como lucro a aproximação do usuário à praia.

Os “bichinhos”, melhor dizendo a fauna, também foi considerada, embora não tenha apresentado defensores. No inventário executado pela equipe do projeto foram identificados mais de 50 pássaros presentes na área, além de répteis e anfíbios, e até mesmo mamíferos. Rupornis magnirostris (Gavião-carijó), Aramides cajanea (Saracura-três-potes), Vanellus chilensis (Quero-quero) são alguns deles, assim como os Pleurodema diplolister (Sapinho-de-areia); Dendropsophus decipiens (Perereca-pequena); Rhinella jimi (sapo- cururu); Tropidurus hispidus (Catenga) e outros. No popular, pombos, calangos, cobras, sapos e até ratos. Quase cem espécies de animais. Todos capazes de viver nas novas condições pós implantação do projeto. Desta forma a qualidade ambiental do trecho está garantida.

Estejam em paz os que por ela protestam! Sabendo que, se tivessem comparecido a pelo menos uma das reuniões públicas onde se discutiu o assunto, saberiam de antemão o que estamos informando aqui. E com mais detalhes!

O certo é que ganharemos espaços de contemplação e descanso, ciclovia e calçadão para caminhadas que, se bem executados, já são o suficiente para alegrar o coração. Mais ainda, lá estarão as passarelas suspensas, pequenas áreas com equipamentos de ginástica e brinquedos, bicicletários e bancos ao longo de todo o percurso. 

Tudo pronto? Bom demais!

Penso que ao final, no futuro, quando passando pelo lugar, muitos lamentarão a permanência da teimosa formação vegetal alta que por vezes não permite que nosso olhar chegue ao mar.

Ah, o mar!

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Clarisse de Almeida
Clarisse de Almeida

Arquiteta e Urbanista pela FAUSS/RJ, especialista em Tecnologia Educacional pela UERJ e em Paisagismo pela UFLA/MG. Atua com ênfase em Desenho Urbano e Projetos de Edificação e Paisagismo. Leciona no curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIT. Possui trabalhos reconhecidos nacionalmente e tem sido palestrante em variados eventos. É membro da equipe da Ágora Arquitetos.

E-mail: arqclarissedealmeida@gmail.com

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