"Não vejo nada de novo na oposição", afirma Fábio Mitidieri
Blogs e Colunas | Joedson Telles 09/08/2020 09h02

O deputado federal Fábio Mitidieri (PSD) avalia, nesta entrevista, que o pré-candidato à reeleição, o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PDT), não enfrentará nenhuma novidade nas eleições 2020. "Não vejo nada de novo na oposição. Talvez o discurso. São os mesmos de sempre, com a mesma estratégia de sempre. Apresenta um nome dito “novo”, mas, por trás, estão todos lá", diz Fábio Mitidiere, que entende ainda que o rótulo não diz nada."Ser novo não é garantia de ser bom. O que importa mesmo é ser preparado... Aliás, acho interessante essa estratégia que muitos “novos” usam de negar a política de se declarar um outsider, mas querer disputar mandato. Digo que não quero, que não gosto, mas estou doido pra entrar e ocupar o lugar que tanto critico", ironiza. 

O senhor foi mal interpretado com aquela postagem no Twitter sobre as pré-candidaturas dos delegados? O que o senhor quis dizer?

Todo mundo tem direito a buscar o seu lugar ao Sol. Minha crítica é a essa onda de outsider na política, de negar a política, mas estar doido pra fazer parte, de perseguir político na intenção de ocupar o seu lugar. Quanto a ser filho de político, tenho orgulho do pai que tenho e do homem público que ele foi. Tomara que os delegados construam uma carreira tão vitoriosa quanto a do meu pai, pra que um dia seus filhos queiram seguir o seu exemplo.

O senhor tem sido um crítico da realização das eleições 2020, por causa da pandemia. Não dá para termos um pleito seguro?

Estamos com mais de mil mortes por dia apenas ocasionadas pela Covid-19. Os governos estão recomendando que as pessoas que puderem, fiquem em casa. Os hospitais estão lotados. O próprio Congresso Nacional ainda não teve coragem de retomar as sessões presenciais, eventos sendo cancelados ou adiados por todo o mundo, mas o Tribunal Superior Eleitoral e o Congresso acham correto termos eleições este ano. Peço desculpas, mas não posso concordar. Fazendo uma conta simples, devemos ter mais de 500 mil candidatos nessas eleições. Se cada um tiver ao menos 10 apoiadores pedindo votos com ele, vamos ter cinco milhões de pessoas nas ruas em campanha durante 45 dias. Tem aglomeração maior do que essa? Mas essa é a regra colocada e na condição de líder partidário, vamos levar o PSD para as eleições e apresentar nossos candidatos e propostas.

Como avalia o atual momento político de Sergipe? 

A política de um modo geral está muito polarizada. Não temos mais o meio termo. Ou você é a favor ou contra, ou é direita ou esquerda. Sinceramente, não vejo o mundo assim. É bom para democracia divergir, questionar..., mas falando de Sergipe, temos novos nomes surgindo e isso sempre é bom. É um novo ciclo que surge na vida pública, sem tirar os méritos de quem já está aí há muito tempo. Aliás, é importante colocar que ser novo não é garantia de ser bom. O que importa mesmo é ser preparado.

A pré-candidatura do prefeito Edvaldo Nogueira está dentro das suas expectativas? Dentro do planejado?

Sempre digo que Edvaldo é o maior prefeito que Aracaju teve nos últimos 30 anos. Sem deméritos a ninguém, mas nossa cidade é um canteiro de obras. Da Zona Norte a Zona Sul. E não podemos esquecer que Aracaju estava com duas folhas atrasadas, 13º atrasado, mais de R$ 540 milhões em dívidas, e, hoje, isso está sanado. Mas é sempre assim: eles falam, falam, falam, mas quem faz é Edvaldo.

O PSD indicará o nome do pré-candidato a vice-prefeito? Há garantia?

O PSD pleiteia indicar o vice de Edvaldo e isso não é segredo. Somos o maior partido do Estado, temos o maior número de vereadores, de deputados e o governador. Mas não estamos impondo nada. Queremos a vice por merecimento e por termos bons nomes como de Jorginho Araújo e Katarina Feitosa. Com maturidade e diálogo, a gente resolve isso. Só deixo claro que teria muita dificuldade em aceitar um nome que não pertença ao nosso agrupamento. Os partidos aliados possuem grandes quadros.

Os nomes mais especulados da legenda são o do advogado Jorginho Araújo e o da delegada Katarina Feitoza. Podemos ter surpresas? O que pesará no momento da escolha?

São dois grandes nomes. É de conhecimento de todos a minha preferência por Jorginho. Um jovem competente, com passagens bem-sucedidas por três secretarias na gestão de Edvaldo. Mas tenho pela delegada Katarina um respeito muito grande pelo seu trabalho e pela pessoa que é. Dois grandes quadros. Sorte do PSD. Espero que a gente faça uma escolha através do diálogo, ouvindo todo o agrupamento para que não aconteça desgaste na relação. E não, não espero surpresas. Acredito no trabalho, na construção das relações e na dedicação ao projeto.... Essa é a marca do PSD.

O prefeito ainda hoje está na linha tiro dos adversários por conta de o Hospital de Campanha de Aracaju estar sendo investigado pela Polícia Federal. Como avalia isso?

Toda investigação é uma oportunidade de provarmos a lisura da gestão. Edvaldo tem como marca a sua competência como gestor e sua honestidade. Edvaldo é ficha limpa. Por isso mesmo, acredito que as investigações provarão mais uma vez sua conduta ética. Lamento o uso político pela oposição, mas esse é o jogo deles. Tentam condenar sem julgar. Não esperam a conclusão. Mas enquanto cometerem os mesmos erros, vão colher os mesmos resultados.

O pré-candidato Paulo Márcio afirmou que uma aliança política feita pelo Cidadania, o PSB, o PSDB e o PL é um sub-grupo do bloco liderado pelo saudoso Marcelo Déda, no passado. Ainda, segundo ele, isso sepulta o discurso do novo. Na sua ótica, faz sentido este juízo?

Não vejo nada de novo na oposição. Talvez o discurso. São os mesmos de sempre, com a mesma estratégia de sempre. Apresenta um nome dito “novo”, mas, por trás, estão todos lá. Aliás, acho interessante essa estratégia que muitos “novos” usam de negar a política de se declarar um outsider, mas querer disputar mandato. Digo que não quero, que não gosto, mas estou doido pra entrar e ocupar o lugar que tanto critico... Eu sou político, defendo a política como o maior e mais eficiente meio de transformação social. Não tenho problema em defender minhas posições, de ter um berço político e desejo muito que cada vez mais jovens entrem na vida pública. Podemos aprender com pessoas mais experientes. Aprendemos com seus acertos e com seus erros.

O presidente Jair Bolsonaro vetou a indenização de R$ 50 mil para profissionais de saúde incapacitados pelo coronavírus. É um 3 x 4 de como o Governo Federal vem agindo, nesta pandemia?

Apenas 28% de todos os recursos aprovados pelo Congresso Nacional foram utilizados. O governo está travado, têm dificuldades em combater a pandemia e retomar a economia e muitas vezes falta sensibilidade. Até mesmo o auxílio de R$600,00, tão importante nesse momento, a proposta do governo era de R$200,00. Foi o Congresso quem elevou o valor. O Fundeb, o governo trabalhou para extinguir mas recuou quando viu que seria derrotado.Agora vetar a indenização para profissionais da saúde incapacitados pelo Covid-19 é cruel. Eles estão na linha de frente, salvando a vida de milhares de pessoas. O Brasil merece mais e pode mais. Mas o momento é de unirmos forças para ajudarmos a nação a superar mais esse momento triste da nossa história.

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Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: joedsontelles@gmail.com

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