Investimentos em pesquisa colocam Sergipe no radar da inovação em energia
Cooperação entre Unit, ITP e a companhia portuguesa Galp já soma cerca de R$ 50 milhões em investimentos e deve gerar novos projetos Cotidiano 16/01/2026 09h32 |Uma parceria de mais de 10 anos está prestes a avançar para novas possibilidades na área de pesquisa, tecnologias e formação profissional na área de petróleo, gás e energia. Trata-se da parceria entre a Universidade Tiradentes (Unit), o Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) e a Galp, companhia portuguesa de petróleo, gás e energia. As instituições sergipanas, que formam o Ecossistema Tiradentes junto com o Tiradentes Innovation Center (TIC), receberam nesta quarta-feira (14), a visita da gerente de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da Galp Brasil, Marcela Mathias e dos gerentes de projetos Douglas Santos e Daniel O’Connor.
A Galp, que atua no Brasil através de uma joint venture com a chinesa Sinopec, participa ativamente das explorações de petróleo, gás e energia no litoral brasileiro. Desde 2014, ela passou a firmar convênios e parcerias com o ITP para o financiamento de projetos e pesquisas de desenvolvimento. Ao longo deste tempo, foram quatro grandes projetos de pesquisa com cerca de R$ 50 milhões em investimentos, principalmente na compra e desenvolvimento de equipamentos de última geração para os laboratórios do instituto.
Um dos primeiros projetos de pesquisa firmados pela Galp (através da Petrogal Brasil), com recursos da Agência Nacional do Petróleo (ANP), foi com o ITP, que formou o chamado grupo Galp 2, na área de óleo e gás. “Já exploramos um pouco aqui as capacidades do ITP na área de óleo e gás e hoje o nosso projeto ativo é na área de biomassa, demonstrando a capacidade e a variedade de expertise dessa instituição, que tem sido um parceiro muito sólido”, disse Marcela, que destacou a Unit como a principal responsável por todo o know-how e pela formação do grupo de pesquisadores envolvidos.
“Hoje, o sucesso dos projetos se dá por conta dos profissionais que foram formados majoritariamente aqui dentro da Unit. Isso mostra, de fato, como o grupo de profissionais que foi formado aqui está preparado para assumir os desafios que estão aí no mercado e de qualquer área, seja de óleo e gás, seja na área de biocombustível e biomassa, que é o nosso atual projeto, pois todos eles são formados dentro da Unit”, completou a gerente.
O professor Cláudio Dariva, docente do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Processos (PEP) e coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas Coloidais (Nuesc/ITP), explica que estes projetos e investimentos se concentram em duas frentes: a de óleo e gás, voltada a ações como tratamento de óleos, caracterização de reservatórios, e análises de insumos; e outra na parte de renováveis e de biomassa, voltada ao uso de biomassas e resíduos naturais para a fabricação de biocombustíveis avançados como combustível de aviação e diesel verde.
“Nas duas, tem a parte de desenvolvimento de tecnologia, geração de patentes, formação de recursos humanos, alunos de mestrado, doutorado e pós-docs. É uma parceria bastante intensa entre os grupos”, diz ele, ao destacar a importância da presença dos gerentes da Galp no Ecossistema Tiradentes. “Quando a gestora de P&D do Grupo Galp no Brasil vem aqui e enxerga o que é feito, os resultados dos investimentos que eles fazem e os desdobramentos que esses investimentos geram de tecnologia e também de formação de recursos, isso dá segurança e dá tranquilidade de que o aporte de recursos por parte da empresa dá resultado. No fim das contas, o que eles querem com esse investimento é também ver desdobramentos para a sociedade”, completa o professor.
Para o presidente do ITP, Paulo do Eirado Dias Filho, a visita dos gerentes da Galp confirma um trabalho de mais de 20 anos, no qual há uma intensa troca de confiança e de colaboração entre as partes. “A gente se sente muito grato pela contribuição deles, mas também prestamos um serviço muito relevante, que faz com que essa parceria permaneça tanto tempo e de forma ascendente. Para nós, é um momento muito oportuno. É a primeira vez que alguns deles estão vindo aqui, ficaram certamente bem impressionados e vão levar essa imagem para fortalecer ainda mais os nossos convênios”, afirma.
“A presença da Galp agrega porque nós vamos construir projetos desafiadores, que estão na carteira deles e que eles vêm fazer aqui com a gente. Agrega na hora que você coloca alunos de iniciação científica, de mestrado e de doutorado para desenvolver esses projetos. E na hora que você vai ter uma produção científica dos desafios apresentados pela Galp, a partir desses projetos. Agrega também porque estamos fazendo uma parceria com a estrutura internacional, bem como no momento em que Galp, Unit e ITP estão juntos para captar mais recursos, com um trabalho conjunto e construído de pesquisa, desenvolvimento e inovação”, considera o diretor acadêmico da Unit, professor Marcos Wandir Nery Lobão.
No Parque Tecnológico
Além de conhecer toda a estrutura dos cursos, laboratórios e centros de pesquisa relacionados ao setor de gás e energia, instalados no Campus Farolândia, os três gerentes da empresa portuguesa visitaram o Tiradentes Innovation Center, que atua no desenvolvimento de projetos e negócios, bem como a incubação de startups. E ainda foram apresentados ao projeto e às obras do Tiradentes TechPark (TTP), parque tecnológico que será sediado no Bloco B do Campus Farolândia e está sendo implementado a partir de uma parceria com a Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE), o Instituto Euvaldo Lodi (IEL/SE) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A apresentação foi feita pelo coordenador do TTP, professor Denisson Salustiano.
De acordo com Marcos Wandir, o TTP permitirá o surgimento de trilhas para que os alunos da Unit façam a sua formação resultar na criação de novas ideias e empresas, a partir de um espaço de ambientação e inovação. “O parque vai acolher ideias dos nossos alunos e de parceiros, para que exista toda uma movimentação de concepção de produtos baseados no que a gente tem de melhor, seja nas engenharias, seja na saúde, na parte de educação, na parte de biotecnologia, na parte de direitos humanos. Pretendemos ajudar não só a formação com a educação, mas também a parte legal na composição de tudo isso. Não adianta você falar em energia se você não tem um bom marco regulatório para atrair empresas”, explicou ele.
A expectativa é de que novos projetos e parcerias se desdobrem entre a Galp e o Grupo Tiradentes, a partir do surgimento do Tiradentes TechPark. “A gente acha que isso vai ser muito promissor para aproximar cada vez mais essa instituição do mercado. Todo o setor de petróleo, todas as empresas que investem, e até mesmo a própria ANP querem que a tecnologia, o sistema, o processo ou produto ganhe vida e vá cobrir os desafios e os gaps que existem no mercado. Eu enxergo esse parque como um passo fundamental para estreitar esse caminho”, acredita a gerente Marcela Mathias.
“Essa é uma espécie de guarda-chuva em que vamos abrindo novas possibilidades, a partir de uma experiência já realizada e que os campos vinculados às questões ambientais e de energia são crescentes. Precisamos fazer com que as nossas patentes e produtos venham a se tornar efetivamente disponíveis para a sociedade e para a indústria. Hoje, já temos maturidade suficiente para isso e esses convênios só vem a confirmar essa aproximação com a indústria. Todo dia, aparecem novos desafios, e estamos aqui de portas abertas para receber esses desafios e oferecer soluções”, concluiu o presidente Paulo do Eirado.
Fonte: Ascom Unit
