Aracaju
Do teatro ao circo, espetáculos cênicos se reinventam no Janela para as Artes
Projeto para fomentar a cadeia produtiva da cultura selecionou 120 propostas
Entretenimento | Por Agência Aracaju 05/08/2020 10h40

O contato, as reações, as expressões do público são combustíveis para quem lida com a arte, pois as emoções humanas funcionam como mola propulsora para o fazer criativo. Com o distanciamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus, artistas têm tido que se reinventar. 

Neste sentido, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Fundação Cultural Cidade de Aracaju (Funcaju), lançou o Janela para as Artes, um projeto para fomentar a cadeia produtiva da cultura na capital sergipana, que selecionou 120 propostas culturais. E uma das janelas abertas contemplou as artes cênicas, cuja subcategoria Espetáculos Cênicos foi a última a gravar suas apresentações, as quais foram encerradas no último dia 30.

Para fechar os trabalhos desse primeiro momento do ‘Janela’, grupos teatrais se apresentaram sob um novo olhar, agora, não mais do público presencial, mas das câmeras, cujos frutos, ou seja, as gravações, ficarão disponíveis a todos os públicos, de qualquer parte do mundo, como acervo e portfólio, nas redes sociais da Prefeitura. 

Um dos espetáculos carrega em si uma história de 42 anos e, em cada traço, a sergipanidade enraizada em forma de bonecos. Mamulengo de Cheiroso, uma das companhias de teatro mais tradicionais do estado, foi uma das selecionadas pelo edital do projeto. Com a peça Baile do Cheiroso, os bonecos ganharam vida e encheram a tela da mais intensa cultura sergipana. 

“É mais uma força, diante da pandemia. O projeto facilita o fazer artístico, uma das categorias que mais tem passado por dificuldade nesse período. É uma somação de esforços que beneficia a todos: a nós, como incentivo, e ao público, levando arte como forma de entretenimento nessa fase de distanciamento”, destacou Augusto Barreto, mestre bonequeiro, diretor artístico e o mais antigo membro do Mamulengo. 

Para o artista, ao longo de quatro décadas, o grupo passou por muitos momentos e a pandemia tem ensinado mais algumas lições. 

“É claro que a gente não se acostuma com o que é ruim, com o que traz dor, mas, é um momento para reinventar, diante das dificuldades. Para um grupo que trabalha com a oralidade, com a música, a dramaturgia, temos que repensar as maneiras de levar a tradição, a cultura. Por isso, nos apresentar para câmeras, sem a presença do público, que é tão parte de nós, foi mais uma lição, um novo olhar para as coisas, uma experiência que valeu muito”, reconhece Augusto. 

A partir dessa iniciativa da Prefeitura, outro grupo que remodelou o seu fazer artístico foi o Eitcha Companhia de Teatro. Criada em 2011, a partir de um trabalho de educação através da arte em escolas de Aracaju, a companhia segue trabalhando para o público infantil, mas também arrebatando outros públicos com peças que instigam o mundo imaginário e reflexivo. Para o ‘Janela’, o grupo apresentou a peça Tsuru. 

Por coincidência ou não, Tsuru é um pássaro feito de origami, considerado um dos mais tradicionais da cultura japonesa, símbolo da saúde e da boa sorte, tão importantes e desejados em tempos de pandemia. 

“Víamos rodando o estado com a peça, mas, quando chegou a pandemia, paramos as apresentações. O projeto da Prefeitura veio para dar um novo ar, nos motivar e repensar nossas maneiras de fazer arte. Para se ter uma ideia, nossos ensaios foram realizados por meio de videochamada e boa parte das marcações da peça tiveram que mudar porque tínhamos muita interação com o público, mas foi muito importante para nós, foi uma ajuda necessária, tanto para o bolso como para a nossa arte, como um fomento”, explica o ator e diretor André Santana. 

Circo
Se o teatro foi parar nas telas, o circo também. Assim foi a contribuição do Circo Gold Star. Na estrada há 25 anos, o grupo circense levou o picadeiro para o ‘Janela para as Artes’ e abrilhantou as gravações com o mundo encantado onde tudo é possível. 

“Estávamos há quatro meses parados, dependendo de doações, então, quando soubemos do edital, nos inscrevemos. Foi um alento para o nosso grupo porque sobrevivemos através do público, o circo é feito disso, então, com certeza, poderemos ter um pouco mais de tranquilidade. Somos, hoje, em torno de 50 pessoas no circo e, com as apresentações paradas, o prejuízo é grande. Participar do projeto foi algo totalmente novo para nós, mas muito produtivo e essencial nesses tempos difíceis. Nos empenhamos em levar toda a alegria do circo para as pessoas que poderão assistir de casa”, destaca o proprietário do circo, Jeová Andrade. 

Com esse edital, o projeto resultou na gravação de 90 apresentações artísticas, nas categorias: Música e Artes Cênicas, que contemplam as subcategorias Quinta instrumental, Aracajueiros, Som de Barzinho, Leituras Dramáticas, Espetáculos Cênicos e Solos. Além de mais 30 produções nas Categorias Literatura e Audiovisual, divididas nas subcategorias Prosa, Conto, Miniconto, Crônica, Poesia e Curta Metragem em Dispositivos.

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