Saiba como funciona o canabidiol manipulado e quando ele é indicado
Especialistas explicam como o canabidiol age no cérebro, para quais doenças há evidências sólidas e que produtos manipulados exigem cuidado Cotidiano | Por Metrópoles 29/11/2025 15h00 |O canabidiol (CBD), composto derivado da cannabis, vem ganhando espaço no Brasil pelo potencial terapêutico e pelas dúvidas que ainda provoca. Mas, afinal, como a substância atua no organismo e o que muda quando ela é manipulada?
O psiquiatra André Botelho, do Sírio-Libanês, em Brasília, explica que o CBD participa de diferentes vias do sistema nervoso, principalmente no sistema endocanabinoide.
Essa ação ampla favorece efeitos neuroprotetores. “Ele reduz neuroinflamação, facilita a formação de novos circuitos cerebrais e regula a plasticidade sináptica”, diz.
Segundo o especialista, o composto também modula respostas imunes e protege contra processos que podem causar dano aos neurônios. Não por acaso, substâncias à base de cannabis vêm sendo estudadas em ansiedade, epilepsia, inflamação cerebral e doenças neurodegenerativas.
Onde o canabidiol já tem eficácia comprovada
Apesar do interesse crescente, poucas condições contam com evidências realmente consistentes. A médica clínica Juliana Bogado, especialista em canabidiol, explica que as melhores provas científicas estão nas epilepsias refratárias específicas, como Dravet, Lennox–Gastaut e esclerose tuberosa.
Para ansiedade, pesquisas iniciais sugerem efeito ansiolítico em doses definidas, embora os resultados ainda variem entre estudos. Em dor crônica, osteoartrite e dor neuropática, Juliana afirma que há indícios de ação analgésica e anti-inflamatória moderada.
Já em doenças como Parkinson, Alzheimer, esquizofrenia e esclerose múltipla, os sinais são promissores, mas insuficientes para recomendações clínicas. “Aguardamos estudos maiores, e acredito que eles não devem demorar”, indica a médica.
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