Sergipe realiza procedimentos cardíacos inéditos por meio do SUS
Aparelhos garantem tratamento de alta complexidade e transformam vidas de pacientes Cotidiano | Por Agência Sergipe 29/08/2025 14h51 |Sergipe marcou um importante avanço na saúde pública e na cardiologia com a realização de dois procedimentos de alta complexidade inéditos no Sistema Único de Saúde (SUS) do estado. O primeiro envolveu uma paciente com miocardite aguda fulminante e representou o primeiro implante do dispositivo Impella em caráter de urgência no SUS sergipano. O segundo caso foi um implante de nova valva mitral de forma percutânea (sem cortes) na modalidade valve-in-valve, também realizada pela primeira vez no SUS em Sergipe.
Essas conquistas demonstram o fortalecimento da assistência cardiovascular de alta complexidade e o compromisso do Governo do Estado com o avanço tecnológico e a vida dos pacientes.
Ambos os procedimentos, realizados no Hospital Cirurgia, só foram possíveis graças à parceria com a Secretaria de Estado da Saúde e o Governo do Estado, que viabilizou o acesso às tecnologias de ponta e custeio de dispositivos de alto valor. Os procedimentos foram conduzidos pelo time de cardiologia e de choque cardiogênico do Hospital de Cirurgia, equipe exclusiva e especializada, formada por cardiologistas, hemodinamicistas e cirurgiões cardíacos.
Segundo o coordenador do Serviço de Cardiologia, Luiz Flávio, o grupo discute cada caso para garantir que o uso de tecnologias de alto custo seja feito de forma racional, segura e custo-efetiva. “Foram dois procedimentos inovadores no SUS que foram fundamentais para salvar a vida de ambos os pacientes. A paciente submetida ao uso do Impella já está em casa, em reabilitação fisioterápica. Já o paciente que passou pela troca da válvula vive hoje normalmente, sem maiores dificuldades” destacou Luiz Flávio.
Histórias de superação
A primeira paciente foi Williene de Farias, jovem de 35 anos e mãe de três filhos, que deu entrada para troca da válvula mitral, devido a uma doença reumática que havia comprometido a função da válvula. Durante o pós-operatório, ela evoluiu com um choque cardiogênico, situação em que o coração não consegue bombear sangue adequadamente.
Diante da gravidade, a equipe do time de choque cardiogênico decidiu pelo uso do Impella, um dispositivo de assistência circulatória que é inserido através de uma artéria na perna e fica dentro do coração, bombeando sangue e permitindo que o órgão “descanse” enquanto se recupera.
O médico cardiologista intervencionista Wersley Silva detalhou o procedimento. “O dispositivo precisou ser trazido de Salvador em poucas horas, em uma verdadeira corrida contra o tempo. Nas primeiras 24 horas, o coração da paciente mostrou total dependência do equipamento, mas logo começou a dar sinais de recuperação. No terceiro dia, o Impella pôde ser retirado, e a paciente evoluiu bem”, explicou.
Segundo Williene de Farias, foi como nascer de novo. “Minha infância sempre teve limitações físicas, e eu não podia brincar como toda criança comum. Nunca tinha investigado a fundo a origem desse cansaço. Mas durante todo o procedimento, a equipe médica estava extremamente preparada, e eu nunca me senti sozinha em nenhum momento”, afirmou Williene.
O segundo procedimento envolveu o aposentado Amintas Fernando dos Santos, 85 anos, do município de Boquim, no centro-sul sergipano. Ele apresentava cansaço fácil e histórico de cirurgia cardíaca prévia, cuja prótese valvar mitral estava deteriorada. Devido à idade e fragilidade do paciente, uma cirurgia convencional apresentaria alto risco.
“A equipe optou por uma troca de válvula via cateterismo (valve-in-valve), técnica minimamente invasiva que dispensa abertura do tórax. O procedimento foi realizado com sucesso, e o paciente recebeu alta em apenas 48 horas, retomando rapidamente suas atividades e melhorando significativamente a qualidade de vida”, reforçou o cardiologista Wersley Silva.
Conforme Amintas, a intervenção cirúrgica melhorou sua saúde, qualidade de vida e bem-estar. “Antes eu caminhava, andava de bicicleta, mas o cansaço foi me limitando cada vez mais. Hoje, graças a Deus e à equipe do hospital, estou bem demais, vou voltar a fazer minhas coisinhas em casa que antes não dava conta. Não tenho nem palavras para agradecer, desde o pessoal da limpeza até os enfermeiros, todos foram atenciosos e cuidadosos comigo”, contou o aposentado.





